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Baiano apresenta estudo em maior congresso de urologia do mundo

Baiano apresenta estudo em maior congresso de urologia do mundo

Pesquisa avalia uso de reconstrução 3D em cirurgia robótica da próstata

A cirurgia robótica no tratamento do câncer de próstata teve participação brasileira de destaque na última segunda-feira (18), durante o congresso anual da American Urological Association (AUA 2026), em Washington. O urologista baiano Nilo Jorge Leão apresentou um estudo original que investiga se a reconstrução tridimensional (3D) personalizada da próstata antes da cirurgia pode melhorar os resultados da prostatectomia robótica, principal procedimento utilizado no tratamento do câncer de próstata localizado.

O trabalho, intitulado “Prostatectomia robótica associada à reconstrução 3D para melhores desfechos cirúrgicos”, foi selecionado para a sessão oficial “Câncer de próstata localizado – Terapia cirúrgica IV”, uma das áreas mais concorridas da uro-oncologia cirúrgica. A pesquisa busca avaliar se o uso do modelo 3D reduz margens cirúrgicas positivas — quando células tumorais permanecem após a cirurgia — e acelera a recuperação da continência urinária, dois indicadores diretamente ligados à qualidade de vida dos pacientes.

O estudo ainda será debatido por referências mundiais da especialidade, entre eles os médicos David Lee, Sanjay Razdan e Joseph Wagner. A apresentação ganha relevância por estar entre os poucos trabalhos brasileiros 100% originais selecionados para discussão na edição 2026 do encontro científico mais importante da urologia mundial.

“Estamos avaliando se a reconstrução 3D pode contribuir para tornar a cirurgia robótica ainda mais precisa e personalizada, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes”, afirmou Nilo Jorge Leão. Com mais de 2 mil cirurgias robóticas realizadas, o especialista coordena o serviço de urologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e é fundador do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).

A maior parte dos dados analisados no estudo foi coletada em cirurgias realizadas na Santa Casa da Bahia e no Hospital Mater Dei Salvador, onde o médico coordena os programas de cirurgia robótica. Segundo ele, a seleção do trabalho pela AUA reforça a relevância da produção científica brasileira em uma área dominada por grandes centros internacionais. “É uma oportunidade importante de mostrar que também produzimos pesquisa original e inovação tecnológica em cirurgia robótica uro-oncológica”, destacou o especialista.

Para o diretor técnico do HMDS, Jorge Matheus Campos, a estrutura tecnológica de uma unidade hospitalar tem papel fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e tratamentos de alta complexidade. “A consolidação de um programa robusto de cirurgia robótica exige investimento contínuo em tecnologia, qualificação profissional e integração multiprofissional. Ter um hospital preparado para isso permite não apenas oferecer tratamentos mais modernos e seguros aos pacientes, mas também produzir ciência de alto nível, com reconhecimento internacional”, afirmou.

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