Alternativas à saúde privada avançam na Bahia
Modelos acessíveis ampliam acesso para quem está fora dos planos tradicionais
Sem conseguir pagar um plano de saúde e tentando evitar a demora do sistema público, um número crescente de baianos tem recorrido a modelos alternativos de assistência médica, que prometem atendimento mais rápido e custos reduzidos. A expansão desse tipo de serviço reflete um cenário conhecido: mensalidades elevadas na saúde suplementar e filas prolongadas no SUS.
Nesse contexto, empresas que operam fora do modelo tradicional de planos ganham espaço ao oferecer consultas, exames e telemedicina com menor custo e menos burocracia. A proposta tem atraído principalmente trabalhadores informais, autônomos e famílias das classes B, C e D, que buscam soluções intermediárias entre o sistema público e os planos privados.
Uma dessas iniciativas é a Cheque Saúde, empresa baiana que começou a operar nacionalmente neste mês de abril e aposta em um modelo de assistência baseado em rede aberta e coparticipação reduzida. A companhia acaba de firmar parceria com a Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), com foco em ampliar o acesso à saúde para familiares de servidores que não possuem plano.
Novo formato – Diferentemente dos planos tradicionais, o modelo permite que o paciente escolha onde deseja ser atendido e receba reembolso parcial dos custos. Segundo a empresa, consultas presenciais podem sair por cerca de R$50, com cobertura de parte do valor total.
“A ideia é democratizar o acesso à saúde de qualidade, sem as barreiras tradicionais de custo e burocracia. A pessoa não precisa esperar meses por atendimento nem arcar com valores altos para uma consulta particular”, afirma o CEO da empresa, Jordal Matos, conhecido como Joca.
Além das consultas presenciais, o serviço inclui telemedicina 24 horas, terapias online e reembolsos para exames e medicamentos, com processos digitais realizados por aplicativos de mensagens e transferências instantâneas.
Demanda crescente – O avanço desse tipo de solução acompanha a dificuldade de acesso à saúde suplementar no país. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que milhões de brasileiros permanecem fora dos planos privados, seja pelo custo ou pela perda de vínculo empregatício.
Nesse cenário, alternativas mais flexíveis tendem a preencher lacunas, especialmente em regiões metropolitanas como Salvador, onde a demanda por especialistas é elevada.
“A gente resolve um problema real: o tempo de espera e o custo. O paciente consegue atendimento rápido e paga um valor acessível, sem ficar preso a uma rede limitada”, diz Matos.
Tendência de mercado – Especialistas apontam que o crescimento de soluções alternativas deve continuar, impulsionado por mudanças no mercado de trabalho e pelo aumento do custo da saúde privada. Modelos híbridos, com coparticipação e uso sob demanda, passam a ocupar um espaço antes pouco explorado.
Embora ainda em expansão, essas iniciativas levantam discussões sobre regulação, qualidade do atendimento e sustentabilidade a longo prazo, temas que tendem a ganhar mais espaço à medida que o setor cresce.
Crédito das fotos: Freepik
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